sexta-feira, 10 de abril de 2026

Drone militar estadunidense de R$ 1 bilhão desaparece após emitir alerta durante voo sobre o Estreito de Ormuz



Aeronave não tripulada mais cara da história, MQ-4C Triton havia realizado missão de vigilância de três horas e perdeu altitude rapidamente antes de sumir dos radares; causa ainda é desconhecida

10 de abril de 2026, 12:45 h

Drone militar americano de R$ 1 bilhão desaparece após emergência sobre Estreito de Ormuz; entenda — Foto: Reprodução: Northrop Grumman
O sistema de aeronave não tripulada MQ-4C Triton (Foto: Marinha dos Estados Unidos/Divulgação via REUTERS/Foto de arquivo)


Um drone de vigilância da Marinha dos Estados Unidos, que pode chegar a custar US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), desapareceu na quinta-feira (9) após emitir um alerta de emergência durante voo sobre o Estreito de Ormuz. A aeronave, modelo MQ-4C Triton, havia concluído uma missão de monitoramento antes de perder altitude rapidamente e desaparecer dos radares. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com os dados disponíveis, o equipamento havia realizado cerca de três horas de vigilância no Golfo Pérsico e na região do estreito. Em seguida, iniciou o retorno à base, localizada na Estação Aérea Naval de Sigonella, na Itália.

Registros do sistema de rastreamento aéreo Flightradar24 indicam que o drone alterou levemente sua rota em direção ao Irã no momento em que transmitiu o código 7700, utilizado para emergências gerais. Logo depois, iniciou uma descida abrupta até desaparecer.

Ainda não há confirmação sobre o destino da aeronave. Não se sabe se o drone caiu ou se foi abatido, hipótese que não possui precedentes registrados para esse modelo. O incidente ocorreu dois dias após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo de cessar-fogo, que incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo.

Ainda não está claro se o equipamento caiu ou foi abatido, algo nunca antes registrado com o modelo.

Capacidades do equipamento

Desenvolvido pela empresa Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é projetado para missões estratégicas de vigilância de longa duração, especialmente em áreas sensíveis, como rotas marítimas. O modelo pode operar por mais de 24 horas consecutivas a altitudes superiores a 15 mil metros, com alcance aproximado de 13,7 mil quilômetros.

Um modelo do MQ-4C da Força Aérea Australiana — Foto: Reprodução: Northrop Gumman

A aeronave também atua em conjunto com o modelo P-8A Poseidon, sendo utilizada como plataforma de observação em grande altitude. Até 2025, a Marinha dos Estados Unidos contava com cerca de 20 unidades do Triton, com previsão de ampliação da frota.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/drone-militar-estadunidense-de-r-1-bilhao-desaparece-apos-emitir-alerta-durante-voo-sobre-o-estreito-de-ormuz?utm_source=msn.com&utm_medium=referral&utm_campaign=msn-feed#google_vignette.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Uma vitória do Irã será um feito que vai mudar a história das guerras


Conflito expõe fragilidades dos EUA e reposiciona o Irã como força estratégica capaz de alterar o equilíbrio global de poder


José Álvaro de Lima Cardoso
Economista



Uma vitória do Irã será um feito que vai mudar a história das guerras



“Os EUA não são bons no que diz respeito a operações combinadas de armas. Não podem travar uma guerra real e séria em um teatro de operações vasto” - Andrei Martyanov, analista militar e autor russo-americano


Segundo os delírios diários de Donald Trump, os EUA destruíram a marinha, força aérea e líderes iranianos; mísseis e drones iranianos estão esgotados e o regime foi dizimado militar e economicamente. Trump prometeu recentemente ataques intensos nas próximas 2 ou 3 semanas para "levar o Irã à Idade da Pedra". Como não conseguem localizar o arsenal militar do Irã, EUA e Israel vêm, basicamente, despejando mísseis em escolas, hospitais, museus, locais históricos e residências, cometendo crimes de guerra em série, comportamento costumeiro dessa coligação abominável.


Como se sabe, o presidente dos EUA mente tanto que acaba acreditando nas próprias mentiras, o que não o impede de desdizer, à tarde, o que tinha afirmado pela manhã. Além disso, em uma guerra, a primeira vítima é a verdade. Por isso, os dados objetivos do conflito devem ser sempre a principal referência do observador comprometido com a verdade. Um dado inegável é que quem controla o estreito de Ormuz é o Irã. O local é uma pequena passagem marítima de cerca de 33 km de largura no ponto mais estreito, localizada entre o Golfo Pérsico (ao norte, controlado pelo Irã) e o Golfo de Omã (ao sul, perto de Omã). Ele conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, servindo como porta de saída para o oceano Índico.


Para MacCoy, assim como Egito em 1956, na crise contra os britânicos, “o Irã tem a mão do chicote” agora. “Eles estão no controle da situação, aparentemente impotentes, aparentemente vulneráveis aos nossos ataques na superfície, mas estrategicamente e geoestrategicamente, são eles que detêm as cartas vencedoras”, afirmou.


A importância do estreito para a economia mundial é enorme, pois é um dos principais "gargalos" do comércio global de energia. Por ali passa, em tempos normais, cerca de 20-30% do petróleo mundial (mais de 20 milhões de barris/dia), vindo de países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes, Kuwait e Irã. Também transporta 20% do gás natural liquefeito (GNL) global, especialmente do Catar. Qualquer interrupção causa picos nos preços do petróleo, afetando inflação, transporte e indústrias em todo o mundo.


O Irã está aproveitando a guerra para deixar bem claro quem controla o estreito de Ormuz. Já anunciou, inclusive, que, normalizada a situação, mudará o status do estreito, passando a cobrar um pedágio das embarcações que por ali passam, inclusive para reparações de guerra, já que o país está sendo destruído por ataques criminosos e totalmente ilegais. Aliás, esse pedágio já está sendo cobrado dos navios autorizados pelo Irã a cruzar Ormuz. O Irã criou uma capacidade integrada de interdição do estreito, que não pode ser derrotada sem o uso de tropas de infantaria (coisa que o imperialismo não consegue organizar).


Essa estratégia integrada, projetada para interditar o tráfego marítimo, é difícil de derrotar rapidamente devido à combinação de armas assimétricas, geografia favorável (costa extensa de 1.800 km e ilhas) e táticas de guerrilha naval. Vale lembrar que o Irã vem se preparando para essa guerra há cerca de 25 anos, e seus militares pensaram seus aspectos nos mínimos detalhes. O controle do tráfego no estreito de Ormuz pelo Irã é mais uma derrota para os EUA nessa guerra.


Os pretextos usados pelos EUA para a agressão ao Irã vieram mudando a cada semana desde o início da guerra, ao sabor das oscilações da demência de Trump. Primeiro foram as armas nucleares; não adiantou o Irã dizer que não iria fabricar. Em seguida, foram a existência de mísseis balísticos, que o Irã também não poderia possuir. Depois, a mudança de regime, porque o Irã iria dominar o Golfo Pérsico. Finalmente, Donald Trump está dizendo que o objetivo é abrir o estreito de Ormuz para o tráfego normal de embarcações. O que é muito curioso, porque o estreito estava funcionando normalmente antes do ataque traiçoeiro — feito em meio a negociações — dos EUA e Israel.


Os EUA não precisam diretamente do estreito de Ormuz para movimentar sua economia, mas a economia mundial precisa, porque o controle por parte do Irã, proibindo a passagem às embarcações dos países inimigos, está impactando fortemente os preços globais de energia, com risco, inclusive, de uma depressão econômica. O fato de que, quarenta dias após o início da guerra, o estreito continue fechado é uma prova definitiva da força dos iranianos. Enquanto o presidente dos EUA age como uma barata tonta, o Irã, até o momento, executa um plano de guerra minuciosamente elaborado.


A realidade política do Irã e de seus inimigos é muito diferente, o que é um fato crucial da guerra. Neste momento, em Israel, milhões de pessoas passam um tempo significativo em abrigos, com medo dos bombardeios, cada vez mais comuns, porque o sistema de defesa antiaéreo virou uma verdadeira “peneira”. Nos EUA, não mais do que 20% da população apoia a agressão contra o Irã, fato que pode significar uma derrota acachapante para Trump nas eleições parlamentares de novembro próximo. No Irã, apesar da população estar sendo bombardeada por caças, ninguém está se escondendo em bunkers (seguindo o exemplo, aliás, de seu líder máximo, Ali Khamenei, covardemente assassinado pelos sionistas). Isso mostra a realidade política muito diferente entre os dois países. Há um problema adicional para os agressores: os iranianos ainda não colocaram todas as suas cartas sobre a mesa no que se refere a recursos tecnológicos. O país dispõe ainda de capacidades bélicas e estratégicas que não foram reveladas.


Quanto mais essa guerra se prolongar, mais difícil será para os EUA e Israel sustentá-la. Há, primeiro, dificuldades de reposição de suprimentos de guerra, pois, apesar da fortuna investida em guerras, a indústria dos EUA tem baixa capacidade de produção. Além disso, é uma guerra muito assimétrica do ponto de vista financeiro. O drone iraniano Shahed-136 (o mais usado) tem custo de produção médio de US$ 35.000. Outros modelos custam, em média, US$ 40.000 a US$ 60.000. A comparação com as defesas do inimigo é impressionante. O míssil interceptador Patriot, fabricado pelos EUA, custa de US$ 3 a 4 milhões, ou seja, 1 drone custa de 0,5% a 1,5% de um míssil de defesa. É uma guerra muito difícil de sustentar, mesmo para o país mais rico do mundo, o que é agravado pela tendência crescente a uma derrota fragorosa.


A guerra, além de prejudicar muito a economia norte-americana, por meio do aumento de preços dos derivados do petróleo, está consumindo rapidamente o orçamento do Pentágono. Neste mês de abril, o governo norte-americano enviou ao Congresso uma proposta de orçamento militar recorde de US$ 1,5 trilhão para o ano fiscal de 2027 (que começa em outubro próximo). Este valor representa um aumento histórico de aproximadamente 42% (cerca de US$ 445 bilhões) em relação aos níveis aprovados para 2026.


O pedido de US$ 1,5 trilhão é justificado pela administração Trump como fundamental para manter a supremacia militar global. Para compensar o aumento nos gastos militares, o plano propõe cortes de cerca de 10% em gastos discricionários não relacionados à defesa, atingindo agências civis, programas sociais e educação. O orçamento inclui recursos para o projeto "Golden Dome" (um sistema de defesa antimísseis), expansão da frota naval e um aumento significativo para a Força Espacial, que teria seu orçamento mais que dobrado para US$ 71 bilhões.


A indústria de defesa dos Estados Unidos é composta por gigantes do setor privado que formam a espinha dorsal do que é conhecido como o Complexo Industrial-Militar. Essas empresas não apenas fabricam o armamento, mas também exercem uma influência profunda sobre o Congresso e o governo norte-americano. As cinco maiores empresas, frequentemente chamadas de "The Big Five", dominam a maior parte dos contratos do Pentágono. Essas empresas são diretamente beneficiadas pelas guerras eternas provocadas pelos EUA e certamente têm influência decisiva na expansão do orçamento militar do país. Apesar do orçamento trilionário dos EUA, a guerra contra o Irã levantou sérias dúvidas entre os especialistas sobre a eficiência do equipamento fornecido pelo Complexo Industrial-Militar.


À medida que o conflito se desenvolve, são cada vez mais fortes os sinais de que o Irã vai impingir uma derrota estratégica aos EUA. Um país atrasado, uma potência média, que sofre todo tipo de boicote há 47 anos, se manter firme e enfrentar o império mais poderoso da Terra é um feito que vai impactar a história das guerras. Em caso de vitória do Irã, os EUA vão se enfraquecer em outras frentes. Por exemplo, a permanência dos EUA no Oriente Médio vai ficar cada vez mais difícil. As ditaduras árabes no Golfo Pérsico, países artificiais que são braços e pernas do imperialismo norte-americano, estão ficando em uma situação insustentável. Esses governos, dominados por emirados extremamente corruptos, que colocaram as riquezas dos países a serviço de algumas famílias, vão ter dificuldades para se manter.


Um outro efeito impagável de uma possível vitória do Irã nesta guerra é o enfraquecimento de Israel. Este possivelmente é o melhor resultado de todos. Uma vitória do Irã em um conflito direto e total contra os Estados Unidos representaria uma mudança sem precedentes na história moderna. As consequências para os EUA e, principalmente, para Israel seriam estruturais.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/uma-vitoria-do-ira-sera-um-feito-que-vai-mudar-a-historia-das-guerras?utm_source=msn.com&utm_medium=referral&utm_campaign=msn-feed#google_vignette.

terça-feira, 24 de março de 2026

Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer, afirma historiador




História de Tatiana Carlotti



O chicote está nas mãos do Irã e eles vão vencer, é o que afirma o historiador Alfred MacCoy, da Universidade de Wisconsin-Madison, em entrevista concedida ao Democracy Now, nesta segunda-feira (23/03). Ao avaliar os impactos globais da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, ele afirma que o país persa está em “posição dominante” e fazendo Washington “refém”.


Segundo o historiador, se o Irã conseguir manter o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, ele “poderá manter Washington refém”. MacCoy compara a guerra atual com a crise do Canal de Suez, em 1956, quando o Egito conseguiu reverter uma derrota militar ao bloquear uma rota marítima vital, precipitando o declínio do poder imperial britânico.


“Não há outro lugar no planeta tão absolutamente central e crítico para o funcionamento de toda a economia global”, explicou o historiador, ao salientar além do petróleo e gás, cerca de metade dos ingredientes para fertilizante transitam pelo Estreito de Ormuz, agora fechado.


Isso ocorre, lembra o historiador, quando todo o hemisfério Norte está plantando suas culturas e precisando de fertilizantes, cujos preços quase dobraram nos Estados Unidos. “O governo Trump, em sua genialidade, encontrou exatamente o mês certo para atacar o Irã e efetivamente fechar o Estreito de Ormuz, desestabilizando a agricultura global. É inacreditável”, ironizou.


Para MacCoy, assim como Egito em 1956, na crise contra os britânicos, “o Irã tem a mão do chicote” agora. “Eles estão no controle da situação, aparentemente impotentes, aparentemente vulneráveis aos nossos ataques na superfície, mas estrategicamente e geoestrategicamente, são eles que detêm as cartas vencedoras”, afirmou.

‘Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer’, afirma historiador Agência Tasnim


Deficiências norte-americanas


Segundo o historiador a guerra vem demonstrando a fragilidade e o declínio do império estadunidenses. Ele mencionou a questão dos estoques limitados dos mísseis interceptadores. “Tínhamos algo como 4.000 mísseis interceptadores. O Irã tinha algo como 80.000 drones Shahed. É preciso um míssil interceptador para derrubar um drone. Então, se a guerra se arrastar, vamos esgotar nossas reservas”, afirmou.


MacCoy também mencionou o impacto moral do conflito. “Nossa aura de poder foi diminuída. Evaporou. Mostramos nossos limites e que os Estados Unidos, a maior potência mundial, enfrentando um país enfraquecido e de porte médio como o Irã, não podem prevalecer”, acrescentou.


Ele lembrou que o Irã estava aberto às negociações antes dos ataques mas, agora, os “Estados Unidos é que estão negociando, basicamente nos termos do Irã“. Em sua avaliação, “isso é um sinal para o mundo de que a era da hegemonia dos EUA está se esvaindo”.


Segundo MacCoy, o Irã está, neste momento, “em uma posição melhor”. Prova disso é que embora a maioria das instalações acessíveis no país tenham sido atacadas, do lado sul do Golfo Pérsico, “há enormes usinas de dessalinização, usinas gigantes de gás natural liquefeito e campos de petróleo”.


O historiador afirma que toda essa infraestrutura está “sem reforço e completamente exposta a ataques de drones de 20 mil dólares, que resultam em erupções de fogo e chamas e causam danos a longo prazo à infraestrutura”. Enquanto os Estados Unidos esgotam suas ameaças, o Irã tem ameaças ilimitadas disponíveis.


“Em uma análise estratégica, o Irã está atualmente na posição dominante”, acrescentou. Em sua avaliação, o que Teerã precisa fazer neste momento “é absorver a surra e esperar que desapareçamos”. E “eles vão vencer”, acrescentou o historiador, em entrevista ao Democracy Now.


O post ‘Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer’, afirma historiador apareceu primeiro em Opera Mundi.


FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/ir%C3%A3-est%C3%A1-em-posi%C3%A7%C3%A3o-dominante-na-guerra-e-vai-vencer-afirma-historiador/ar-AA1ZjxxY?ocid=msedgntp&pc=HCTS&cvid=69c2cad72388484ab432c7b1c44f0e33&ei=10.

sábado, 23 de março de 2024

O ano que durou 445 dias por confusão no calendário


O projeto de Júlio César de organizar o confuso calendário romano quase naufragou devido a um erro básico de contagem

Martha Henriques
Role, BBC Future

Houve uma época em que o calendário era muito confuso. A festa da celebração da colheita, por exemplo, caía no meio da primavera.
Era o século 1º a.C. Segundo os rituais, deveria haver verduras e legumes prontos para comer durante a festa. Mas bastava o agricultor olhar para o campo e ficava claro que ainda faltavam vários meses para a colheita.
O motivo era o primeiro calendário romano. Ele ficou tão desregulado que importantes festivais anuais tinham cada vez menos semelhança com o que acontecia no mundo real. Até que Júlio César (100 a.C.-44 a.C.) quis corrigir esse sistema que não fazia mais sentido.
Não era uma tarefa fácil. Era preciso acertar o calendário do Império Romano e ajustá-lo para a rotação da Terra sobre seu eixo (um dia) e sua órbita em torno do Sol (um ano).
A solução encontrada por César nos deu o ano mais longo da história. Ele acrescentou meses ao calendário e os retirou em seguida, fixou o calendário às estações e criou o ano bissexto. Foi um projeto enorme, que quase deu errado devido a uma peculiaridade da matemática romana.

Estamos em 46 a.C. – o Ano da Confusão.

Os dias de festa e de jejum, entre outras datas importantes em Roma, eram sujeitos aos caprichos de um calendário que mudava de forma imprevisível ano após ano

O ano de 46 a.C. pode ter sido complicado, mas não tanto quanto o anterior, segundo a professora de história Helen Parish, visitante da Universidade de Reading, no Reino Unido.
O primeiro calendário romano era determinado pelos ciclos da Lua e do ano agrícola. Observando com os olhos modernos, a impressão é que está faltando alguma coisa.
O ano tinha apenas 10 meses. Ele começava em março (primavera do hemisfério norte) e o décimo mês do ano – o último – era o que conhecemos hoje como dezembro.
Seis desses meses tinham 30 dias e quatro tinham 31. Ao todo, o ano tinha 304 dias.
Como ficavam, então, os dias restantes?
"Os dois meses do ano em que não havia trabalho a se fazer no campo simplesmente não eram contados", explica Parish.
Em outras palavras, o Sol nascia e se punha, mas oficialmente não havia se passado nenhum dia no primeiro calendário romano. "Foi aí que começaram a surgir as complicações", segundo a professora.
Em 731 a.C., o segundo rei de Roma, Numa Pompílio (753 a.C.-673 a.C.), decidiu melhorar o calendário romano. Ele acrescentou meses adicionais para cobrir o período de inverno.
"Qual o propósito de um calendário que cobre apenas uma parte do ano?", questiona Parish.
A resposta de Pompílio foi acrescentar 51 dias ao calendário, criando os meses que hoje chamamos de janeiro e fevereiro. Esta extensão aumentou o ano-calendário para 355 dias. O número pode parecer estranho, mas foi escolhido de propósito.
Este número faz referência ao ano lunar (12 meses lunares), que tem 354 dias de duração. Mas, "devido à superstição romana com os números pares, foi acrescentado mais um dia, totalizando 355", segundo Parish.
Nesta reorganização, os meses foram dispostos de forma que todos tivessem números ímpares de dias, exceto fevereiro (28).
"Por isso, fevereiro é considerado de má sorte e a época de purificação social, cultural e política", segundo Parish. "É o momento em que você tenta apagar o passado."
Para a professora, o calendário de Pompílio foi um bom progresso, mas ainda faltavam cerca de 11 dias para atingir o ano solar de 365 dias e algumas horas.
"Mesmo esse calendário melhorado de Pompílio ainda fica dessincronizado com as estações com muita facilidade."
Perto do ano 200 a.C., o calendário estava tão adiantado que os romanos registraram como tendo ocorrido em 11 de julho um eclipse solar quase total observado em Roma no que hoje seria o dia 14 de março.
Quando o calendário atingiu esse ponto de "erro tão catastrófico", nas palavras de Parish, o imperador e os sacerdotes romanos recorreram à inserção pontual de um mês "intercalado" adicional, chamado mercedônio, para tentar realinhar o calendário às estações.
Mas isso não funcionou muito bem. Havia, por exemplo, a tendência de acrescentar o mercedônio quando autoridades públicas favorecidas estavam no poder e não para alinhar rigorosamente o calendário às estações.
O historiador e escritor clássico Suetônio (69-c. 141) queixava-se de que "muito tempo atrás, a negligência dos pontífices havia desordenado muito [o calendário], com seu privilégio de acrescentar meses ou dias segundo sua própria vontade, de forma que os festivais da colheita não caíam no verão, nem o das uvas, no outono."
O que nos traz de volta a Júlio César.
No ano de 46 a.C., já estava programada a inclusão de um mercedônio. Mas o astrônomo Sosígenes de Alexandria, consultor de César, afirmou que o mês adicional não seria suficiente daquela vez.
Seguindo o conselho de Sosígenes, César acrescentou mais dois meses nunca vistos antes ao ano de 46 a.C. – um com 33 e outro com 34 dias – para alinhar o calendário ao Sol. Estas adições criaram o ano mais longo da história, com 445 dias, ou 15 meses.
Após 46 a.C., o mercedônio, os dois meses novos e a prática de meses intercalados como um todo foram abandonados. Se tudo corresse bem, eles não seriam mais necessários.
"Então, voltamos a ter um calendário mais parecido com o que reconhecemos", conta Parish. "Excelente! Isso parece familiar e renovador!"

Os eventos agrícolas e as comemorações religiosas eram intimamente relacionados na Roma Antiga. O difícil era acompanhar essas datas com o instável sistema de calendário da época

Mas, infelizmente, alinhar o calendário ao Sol é uma coisa – mantê-lo alinhado é outra, bem diferente. O inconveniente é que a quantidade de dias (rotações da Terra) em um ano (órbitas da Terra em torno do Sol) não é um número redondo.
"É onde todo o problema começa", explica o astrônomo Daniel Brown, da Universidade Trent de Nottingham, no Reino Unido. O número de rotações terrestres em uma volta do planeta em torno do Sol é de cerca de 365,2421897... dias.
Em outras palavras, a Terra acrescenta quase um quarto de volta a mais sempre que completa uma órbita em torno do Sol. Por isso, Sosígenes calculou que acrescentar um dia a cada quatro anos – em fevereiro – ajudaria a compensar o desalinhamento.
Este sistema teria funcionado muito bem, pelo menos por algum tempo, não fosse a forma idiossincrática em que os romanos contavam os anos.
"Eles olhavam para os anos e contavam: um, dois, três, quatro", explica Parish. "Depois, eles recomeçavam a partir de quatro – então, eles contavam: quatro, cinco, seis, sete. Depois, eles começavam em sete – eram sete, oito, nove, 10."
"Eles contavam acidentalmente um desses anos duas vezes. Não levou muito tempo para perceber o início do desalinhamento."
Isso foi corrigido no reinado de Augusto. Os anos bissextos passaram a acontecer a cada quatro anos em vez de três e o calendário juliano começou a funcionar bem.
"Júlio César está quase chegando aonde o calendário precisa estar", afirma Parish.

Novas correções

O calendário juliano poderia ter sido o calendário definitivo, se a rotação da Terra, de fato, completasse exatamente um quarto de volta a mais todos os anos. Mas essa diferença é um pouco menor, em cerca de 11 minutos.
"Ou seja, lentamente ainda estamos ficando dessincronizados", segundo Brown.

A menor diferença entre o calendário humano e o movimento da Terra em torno do Sol gera uma discrepância que se acumula ao longo do tempo

A solução surgiu apenas muito tempo depois, em 1582, quando o papa Gregório 13 fez novos ajustes no calendário.
"Foi a correção feita pela reforma do calendário gregoriano – observar esse ponto e adaptar um pouco mais o calendário, cuidando para que [o ano bissexto] não seja apenas a cada quatro anos, mas para pular essa regra a cada 100 anos", explica Brown.
"Mas, depois, eles observaram que isso não coincide completamente – a compensação é excessiva. Por isso, a cada 400 anos, você não pula a regra."
É por isso que o ano 2000, por exemplo, foi bissexto: porque ele é divisível por 100 e por 400.
Para Parish, "tudo isso parece muito organizado", mas é aqui que a política começa a influenciar o curso do tempo. "É um calendário implementado por uma bula papal e, na verdade, não tem valor fora da Igreja e da tutela do bispo de Roma."
Houve pessoas que se queixaram de que o papa, na verdade, roubou 10 ou 11 dias do seu tempo ao ajustar o calendário, segundo Parish. Ainda assim, ao longo dos séculos, cada vez mais países passaram a adotar o calendário gregoriano.
"Mas, gloriosamente, eles não adotaram todos ao mesmo tempo", afirma Parish. "Se arrumou o calendário, mas passou a haver calendários em diferentes países seguindo modelos muito distintos."
Essas discrepâncias fazem com que "você possa ter a situação mais bizarra, na qual uma resposta escrita na Inglaterra para uma carta que chegou da Espanha pode parecer ter sido enviada antes da chegada da primeira", explica Parish, "porque a Inglaterra está na frente da Espanha no calendário."
Desde que foi amplamente adotado e sincronizado internacionalmente, o calendário gregoriano passou a oferecer alguns milênios de precisão. Mas ele ainda não é perfeito.
Na verdade, em meados do século 56, "alguém irá coçar a cabeça e dizer, 'espere um minuto, hoje deveria ser segunda, mas na verdade parece terça-feira'", segundo Parish. "Acho que provavelmente é uma margem de erro que iremos acabar aceitando."
Pelo menos, o calendário gregoriano nos fez ganhar algum tempo, até que chegue essa segunda-feira. Ou será que é terça?

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckk730ykqq1o#:~:text=Seguindo%20o%20conselho%20de%20Sos%C3%ADgenes,445%20dias%2C%20ou%2015%20meses.

sexta-feira, 22 de março de 2024

A ciência tem a resposta para por que os pássaros voam em forma de V

Você já se perguntou como é possível que algumas aves sejam capazes de voar em forma de V? Há uma explicação para esse comportamento

Os pássaros voam em forma de V para reduzir seu arrasto aerodinâmico. Wikipédia

Por Oscar Almarza en Ciencia


As espécies evoluem com o tempo, e aquelas que melhor se adaptam ao ambiente sobrevivem nos ecossistemas. Nos casos em que há migrações, quem consegue superar os obstáculos são aqueles que desenvolvem as ferramentas necessárias para sobreviver. Chamem-lhe Teoria de Darwin. No caso das aves migratórias, Uma das características compartilhadas por várias espécies é a técnica de voo Você já parou para pensar no motivo dessa curiosa forma de pensar? Voando em grupo? A verdade é que há uma razão para isso.

Ciência

Por que as aves voam em forma de V para completar o ciclo migratório

Embora essa mesma característica seja compartilhada por certas espécies de aves que não percorrem milhares de quilômetros a cada ano, é um elemento que caracteriza aquelas que percorrem tais distâncias. De acordo com a referência a esta posição na Wikipédia, trata-se de uma posição estratégica que permite às aves poupar energia, uma forma de evolução que também ocorre nos seres humanos. Esse movimento reduz a resistência do ar, com a ponta formando a ponta fazendo o maior esforço em cada retalho.

O voo em V é uma técnica aperfeiçoada pela evolução praticada por algumas espécies de aves. Wikipédia

Esse elemento seria semelhante ao que acontece na água depois que um navio passa. As ondas que se formam ao seu redor seriam análogas ao vento que é formado pelo movimento das asas. A primeira posição,ou seja, aquela localizada no vórtice, geralmente é distribuída entre as diferentes aves que formam o V de tempos em tempos, a fim de distribuir o esforço no grupo. Esta técnica foi aperfeiçoada através da evolução ao longo de milhares e milhares de anos. Esta curiosa ferramenta para economizar energia durante viagens quilométricas foi adaptada por vários tipos de aves.

Na verdade, alguns deles fazem parte de famílias de aves completamente separadas, o que reforça a teoria da evolução. Deve-se notar, ao mesmo tempo, como essa solução de voo também tem implicações diretas na saúde das unidades envolvidas na formação do V, de acordo com o biólogo Henri Weimerskirch.

Aparentemente, foi possível registrar como as aves que se aproveitam da formação em V para se mover por longas distâncias têm uma frequência cardíaca até 15% menor do que se voassem sozinhas. Da mesma forma, a capacidade de planar também foi muito aumentada. Esse tipo de elemento é o que tem levado cada vez mais espécies a optarem por essa curiosa técnica para melhorar a eficiência nos movimentos.

Fonte: La ciencia tiene la respuesta a por qué las aves vuelan en forma de V (mundodeportivo.com)

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Rio Paraguai, singelo espelho do mundo




Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai! Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai!
Tu és o espelho reluzente das máculas do mundo
Nos sofrimentos da humanidade ele chora a cântaros
Nas alegrias da humanidade ele esbanja sorriso exuberante!



Em todas mazelas sofridas pela humanidade por guerras,
Revoluções, regimes impostores implantados à força,
Angusturas sociais, extermínio de populações inteiras
Nessas ocasiões o rio Paraguai chorou copiosamente
Derramando lágrimas esculpidas em estiagens extremas.



Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai! Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai!
Tu és o espelho reluzente das máculas do mundo
Nos sofrimentos da humanidade ele chora a cântaros
Nas alegrias da humanidade ele esbanja sorriso exuberante!



Em época de bonança, desenvolvimento intelectual,
Paz social, harmonia entre as diferenças, concórdia
Por um mundo de paz, justiça e benquerença
Nessas ocasiões o rio Paraguai sorriu estridulamente
Derramando lágrimas torrenciais com chuvas abundantes.



Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai! Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai!
Tu és o espelho reluzente das máculas do mundo
Nos sofrimentos da humanidade ele chora a cântaros
Nas alegrias da humanidade ele esbanja sorriso exuberante!



Coincidência ou não, nas décadas de dez, trinta, quarenta, sessenta
E setenta do século passado e nos anos vinte um e vinte e dois do
Século atual enquanto a humanidade sofria inúmeras mazelas
E desmandos dos poderosos mundo afora, o rio Paraguai espalhou
Estiagens sem precedentes nos registros históricos ao longo de seu curso.



Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai! Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai!
Tu és o espelho reluzente das máculas do mundo
Nos sofrimentos da humanidade ele chora a cântaros
Nas alegrias da humanidade ele esbanja sorriso exuberante!



Coincidência ou não, nas décadas de mil e novecentos, vinte,
Oitenta e noventa do século passado enquanto a humanidade
Vivia dias de reluzente paz fulgurante e novas trilhas pujantes
Se abriam para os povos outrora humilhados, o rio Paraguai
Extravasou enchentes que renasceu por anos o sonho do Mar de Xaraés!



Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai! Oh!!!!!!!!!!!!! Rio Paraguai!
Tu és o espelho reluzente das máculas do mundo
Nos sofrimentos da humanidade ele chora a cântaros
Nas alegrias da humanidade ele esbanja sorriso exuberante!


A incrível história da humanidade contada através das cheias e secas extremas pelo rio Paraguai



Os céticos que não acreditam na magnanimidade da Mãe Natureza terão uma enorme surpresa ao se deparar com os dados históricos registrados do nível das águas do rio Paraguai, os quais são coletados diariamente pela Marinha do Brasil na Régua Fluviométrica localizada na cidade de Ladário/MS, à margem esquerda do rio Paraguai, na região do Pantanal sul-mato-grossense, no interior da América do Sul, próximo à divisa com a Bolívia.


Observando as leituras dos levantamentos da Régua Fluviométrica, em tela, efetuadas nos últimos 120 anos, para a mencionada localidade, verifica-se que os períodos de observação das grandes estiagens ou secas (baixos níveis das águas) do rio Paraguai coincidem com os períodos de grandes convulsões sociais e sofrimentos vivenciados por parcela significativa da humanidade, afetando em especial, os pobres e as minorias, dispersos mundo a fora.


Da mesma forma, também os períodos das grandes enchentes ou cheias (altos níveis das águas) do rio Paraguai coincidem com os períodos em que grande parcela da humanidade não padecia de grandes sofrimentos, como guerras, revoltas, períodos de governos ditatoriais ou intervenção estrangeira, ou ainda, doenças em grande escala, como pandemias, por exemplo.


Desde o ano de 1900 são registradas diariamente as leituras do nível das águas do rio Paraguai no município de Ladário/MS, pelas observações coletadas na Régua Fluviométrica instalada à margem esquerda do rio, na Base Fluvial do Comando do 6° Distrito Naval da Marinha do Brasil.


Piores estiagens ou secas verificadas em Ladário/MS 


Durante os 120 anos de observação do nível das águas do rio Paraguai coletados diuturnamente pela Marinha do Brasil através de leitura da Régua Fluviométrica de Ladário/MS apresentam registros de dezessete secas ou estiagens, com a leitura da Régua indicando valores iguais ou inferiores a marca “zero” lida na Régua em estudo. Diante disso consideraremos essas estiagens ou secas as mais extremas ou severas verificadas na localidade em questão.


O ano que registra a menor leitura, ou seja, a maior seca ou estiagem registrada para a Régua Fluviométrica instalada em Ladário é o ano de 1964. A marca registrada é de menos 61 cm, no mês de setembro. Nesse ano foi implantada à força a Ditadura Militar no Brasil através de um Golpe de Estado, financiado pelos Estados Unidos, e apoiado pelos setores da extrema direita brasileira com a cumplicidade dos militares. Regime esse de terror que fora implantado para combater o fantasma do comunismo através de perseguição a estudantes, professores, profissionais liberais, compositores, cantores, em fim, perseguição à classe pensante brasileira.


O resultado do Golpe de Estado de 1964 que findou em 1985 é objeto de estudos em que uns poucos elementos da sociedade foram privilegiados, em especial, os militares e os políticos apaniguados a eles, em detrimento da imensa maioria da população, que permaneceu marginalizada de eventuais ganhos ou garantias de melhorias em saúde, educação, segurança ou qualidade de vida para o trabalhador. Naquela época tudo era proibido. Desde reunir, discordar, informar. A censura era a alma do governo, a qual imperou nessa época negra da história brasileira.



Coincidência ou não, o rio Paraguai naquele período de 21 anos de autoritarismo também chorou a morte, tortura, desaparecimento e exílio forçado de inúmeros brasileiros, além da expulsão de estrangeiros que não compactuavam com o regime. Um exemplo clássico é o padre italiano Vito Maracapillo expulso do país em 30/10/1980, porque argumentou, em carta, que não havia independência para um “povo reduzido a condição de pedinte e desamparado em seus direitos”.



O ano de 2021 apresenta o registro de menos 60 cm para a leitura da Régua Fluviométrica da Marinha do Brasil para a localidade de Ladário/MS no mês de outubro. Essa marca indica ser o ano de 2021 o ocupante da segunda posição do ranking da seca ou estiagem mais severa registrada para a Régua Fluviométrica em estudos. Coincidência ou não, vivemos um período com um governo que prega o negacionismo, não ouve o clamor da ciência, nega o aquecimento global, persegue opositores e cientistas, e o país celebra 603.324 mortos por conta da pandemia do covid-19 que não é lavada a sério, nem tratada com o devido respeito pelo governo federal, em especial o Ministério da Saúde. Ademais, nesse mesmo ano o Congresso Nacional cria o Orçamento Secreto e inúmeros penduricalhos destruindo o estado democrático de direito no Brasil, em todos os ramos, seja social, ambiental, etc.

No ano de 1971, em plena convulsão no Brasil, com a polícia política à caça de estudantes à bala, o rio Paraguai chegou a menos de 57 cm, no mês de setembro, sendo essa marca a terceira do ranking da seca ou estiagem mais severa indicada nos registros, inclusive é indicado que no mês de janeiro daquele ano atípico houve o registro negativo da altura da Régua Fluviométrica de Ladário. Um fato inédito, jamais ocorrido em outras épocas desde a instalação da mesma quando teve o início os registros dos níveis do rio Paraguai no ano de 1900 naquela instalação militar da Marinha do Brasil.



Em 1967 foram registrados menos 53 cm da Régua Fluviométrica de Ladário, no mês de outubro, sendo essa a quarta seca ou estiagem mais severa indicada pela Régua Fluviométrica em estudo. Repetia pari passu o cenário do ano anterior mundo afora, assim como no solo pátrio.


No ano de 1969 a marca da Régua Fluviométrica de Ladário registrou menos 53 cm, no mês de setembro, ocupando conjuntamente com o ano de 1967 a quarta posição da pior seca ou estiagem mais proeminente. Coincidência ou não, a Guerra do Vietnã continuava, as guerras coloniais no continente africano idem, bem como o regime do apartheid na África do Sul, Golpe de Estado na Líbia por Muammar al-Gaddafi, regimes de exceção, senão ditatoriais, em diversos países sul americanos, a posse do General Emílio Garrastazu Médici como presidente do Brasil, e início da luta armada no Brasil contra a Ditadura Militar empreendida por abnegados patriotas contra o regime vigente à época.



No ano de 1910 houve a Revolta da Chibata no Rio de Janeiro sob a liderança do marinheiro João Cândido, no mês de outubro, coincidência ou não, o rio Paraguai registrou em Ladário menos 48 cm, sendo essa a sexta maior seca ou estiagem registrada para a localidade objeto desse estudo. Naquele ano a República era implantada em Portugal. Inicia-se a Revolução Mexicana contra o ditador Porfírio Diaz que se exila no Paraguai.



No ano de 1944 a Régua Fluviométrica de Ladário às margens do rio Paraguai registrava menos 34 cm, no mês de outubro, indicativo da sétima seca ou estiagem mais severa mostrada no ranking para a mencionada localidade, e a Segunda Guerra Mundial prosseguia, com a União Soviética libertando Leningrado do cerco alemão que perdurou durante 900 dias, Londres sofreu o primeiro bombardeio do temível míssil V-2 alemão, na costa da Normandia Francesa houve o desembarque das tropas aliadas nas praias no celebrado Dia “D”, criando as condições para a derrota dos alemães e seus satélites.



Tal fato ocorreu por um motivo muito simples. Desde 1942 o avanço das tropas do Eixo não alavancou um milímetro sequer à frente, em nenhuma frente de batalha, e a vitória dos Exércitos Soviéticos ameaçava a implantação do comunismo em toda a Europa Ocidental. Prova disso, é que a frente russa desde os Balcãs até a Polônia ia esmagando todas as resistências nazistas e de seus fantoches aliados que encontravam pela frente. Se os ingleses e americanos, com a ajuda das forças militares das ex-colônias inglesas e dos exilados franceses, não entrassem na Europa, o Exército Vermelho teria esmagado a resistência de alemães, italianos, romenos, gregos, franquistas e salazaristas promovendo a limpeza da Europa de todos os governos alinhados ideologicamente aos interesses financistas globais. E o rio Paraguai, coincidência ou não, chorava o perecimento de 73.000.000 de pessoas, entre mortos, feridos ou desaparecidos, civis ou militares, os primeiros em sua absoluta maioria.



O ano de 2020 apresenta o registro de menos 32 cm para a leitura da Régua Fluviométrica da Marinha do Brasil para a localidade de Ladário/MS no mês de outubro. Essa marca indica ser o ano de 2020 o ocupante da oitava posição do ranking da seca ou estiagem mais severa registrada para a Régua Fluviométrica em estudos. Coincidência ou não, vivemos um período com um governo que prega o negacionismo, não ouve o clamor da ciência, nega o aquecimento global, persegue opositores e cientistas, e o país celebra 180.000 mortos por conta da pandemia do covid-19 que não é lavada a sério, nem tratada com o devido respeito pelo governo federal, em especial o Ministério da Saúde. Ademais, nesse ano foram extintas as Administrações Hidroviárias que zelavam pela manutenção da navegabilidade das hidrovias brasileiras.



Outro ano da década de dez do século XX foi o ano de 1915, que registrou menos 31 cm, no mês de outubro, na Régua Fluviométrica de Ladário, ocupando a nova posição do ranking da seca ou estiagem mais severa indicada pelos registros da Marinha do Brasil. Em plena Primeira Guerra Mundial, sendo registrado naquela ocasião, pela primeira vez na história dos confrontos militares, o uso de gás mortal por tropas alemãs contra seus inimigos numa batalha em abril de 1915 na Bélgica, segundo apontam registros de historiadores do sangrento conflito bélico, como arma de destruição em massa, bem como o início do extermínio de armênios pela Turquia. Segundo inúmeros relatos seriam entre 1.500.000 a 2.000.000 o número de armênios mortos ou desaparecidos naquele período da história. Na Primeira Guerra Mundial pereceram mais de 30.000.000 de pessoas, entre mortos, feridos ou desaparecidos, contando as vítimas civis e militares. E o rio Paraguai derramou lágrimas por causa de tanto sofrimentos ocorridos naquela Guerra Mundial, que culminaria três anos depois, em 1918, com a Pandemia da Gripe Espanhola, na verdade Gripe Americana, a qual fora identificada em tropas americanas no Kansas, em março de daquele ano, no Acampamento de treinamento do Exército Americano de Funston.



No ano de 1938 a Régua Fluviométrica de Ladário registrou menos 27 cm, no mês de outubro, sendo essa a posição décima do ranking da seca ou estiagem mais severa registrada para a localidade em epígrafe, enquanto a Alemanha nazista anexava a Áustria, o Brasil adquiria material bélico alemão das indústrias Krupp, os nazistas na Alemanha determinavam a ocupação das propriedades de judeus após a expulsão dos mesmos de suas casas na Alemanha hitlerista.



No ano de 1939, no mês de outubro, enquanto o nível das águas do rio Paraguai na localidade de Ladário registrava menos 21 cm na Régua Fluviométrica da Marinha do Brasil, ocupando a décima primeira posição do ranking da seca ou estiagem mais severa, a Alemanha nazista invadia a Checoslováquia, a Guerra Civil Espanhola chegava ao fim com a implantação da Ditadura Franquista que perduraria por mais de três décadas, só terminando no ano de 1973, coincidência ou não, naquele ano ocorria a última grande seca verificada no rio Paraguai no século XX. Convém recordar que o ano de 1939 registra a invasão da Polônia pela Alemanha nazista, dando o pontapé inicial para a Segunda Guerra Mundial, onde os Estados Unidos da América se “declaram neutros”, se abstendo de combater tanto o nazismo, quanto ao fascismo, que eles às escondidas apoiavam, tanto política quanto economicamente, tirando vultosos proveitos financeiros da situação em que se encontrava a população europeia e asiática.



O ano de 1968 registrou a marca de menos 21 cm, no mês de outubro, a estiagem ou seca que ocupa a décima segunda posição no ranking dos registros históricos da localidade em epígrafe. Coincidência ou não, naquele ano iniciou e findou a Primavera de Praga, houve a matança de civis vietnamitas no evento conhecido como massacre de My Lay por tropas americanas no Vietnã, na França o movimento estudantil irrompeu em maio contra o governo conservador de Charles de Gaulle, inúmeras manifestações pacíficas de multidões contra a Guerra do Vietnã era a tônica no mundo afora naquele ano, no Brasil registrou-se a sexta-feira sangrenta no Rio de Janeiro onde a Polícia Militar perseguiu estudantes, no México houve o massacre de Tlatelolco na capital mexicana 10 dias antes do início dos Jogos Olímpicos de 1968, o Golpe Militar perpetrado no Peru, prisão pela PM de mais de 700 líderes estudantis no 30° Congresso da UNE no Brasil, além da implantação pela Ditadura Militar brasileira do famigerado AI-5, o qual viria a ser revogado em 1978, pelo General Ernesto Geisel, através da Emenda Constitucional n° 11. A ofensiva do Tet pelos vietcongues naquele ano foi o evento que viria a mudar os rumos da Guerra do Vietnã com a completa derrocada americana em 1975, levando a libertação do jugo colonial o povo vietnamita, após mais de 20 de combates, ora contra franceses e depois americanos e o sacrifício de mais de 5.000.000 de pessoas mortas, feridas ou desaparecidas, entre civis, principalmente, e militares.


Nem 1970 escapou de ter um registro irônico, enquanto o Brasil conquistava o tricampeonato mundial de futebol no México, e o povo seguia o refrão do regime: “Brasil: Ame-o ou Deixe-o!”, em pleno AI-5, a Régua Fluviométrica de Ladário registrava a marca de menos 19 cm, no mês de dezembro, sendo essa a décima terceira seca ou estiagem mais severa registrada pelos anais da Marinha do Brasil para a localidade em questão. Coincidência ou não, seguiam basicamente os mesmos conflitos vivenciados pela humanidade descritos para o ano de 1969.



No ano de 1948 registrou a Régua Fluviométrica de Ladário o nível de menos 18 cm, no mês de outubro, ocupando a posição décima quarta do ranking da seca ou estiagem mais severa indicada pelos registros coletados pela Marinha do Brasil para a localidade. O rio Paraguai já chorava pelo iminente perigo da corrida armamentista com o lançamento de ogivas nucleares, como as bombas atômicas lançadas pelos EUA sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasalki, no mês de agosto do ano de 1945, para acelerar a capitulação nipônica, com o intuito de frear o iminente ataque do Exército Soviético, que mobilizava enormes contingentes de armas e homens na frente oriental para combater o Japão. Naquele ano de 1948, para surpresa dos americanos, os soviéticos estavam nos preparativos finais para o teste da bomba de Plutônio, conhecida no ocidente como “Joe 1”, a qual foi testada em 29 de agosto de 1949, nas estepes remotas do Casaquistão, bomba essa muitas vezes mais potente que as bombas lançadas sobre o Japão pelos EUA três anos antes.



O ano de 1936 registra a Aliança entre a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini, a anexação da Renânia pela Alemanha, a assinatura do Pacto Anticomintern entre o Japão e a Alemanha, o início da Guerra Civil Espanhola, com a Alemanha e a Itália ajudando Franco na Espanha, e no Brasil a implantação do Estado Novo, após a denominada Intentona Comunista e a caça aos seus integrantes. E o rio Paraguai chorou copiosas lágrimas registrando menos treze centímetros, no mês de outubro, que o coloca na décima quinta posição do ranking da seca ou estiagem mais severa registrada para a Régua Fluviométrica de Ladário, no ano da deportação de Olga Gutmann Benário Prestes pelo governo de Getúlio Vargas para a Alemanha nazista, para ser executada em uma câmera de gás com mais 199 prisioneiras, no ano de 1942, com 34 anos de idade no campo de extermínio de Bernbung na Alemanha.


Prosseguindo em nossa análise, no ano de 1966 foi registrada a marca de menos 4 cm, no mês de outubro, a décima sexta seca ou estiagem mais severa registrada pela Marinha do Brasil para a Régua Fluviométrica de Ladário. Coincidência ou não, a Ditadura Militar brasileira fechava o Congresso Nacional através de ato do Marechal Castelo Branco, na Argentina era implantado a Ditadura através de Golpe Militar, sem contar a Guerra do Vietnã, tampouco a Revolução Cultura na China e a inúmeras guerras de libertação coloniais em curso na África, exemplos típicos de Moçambique e Angola, por exemplo, afora o regime do apartheid em curso na África do Sul que mantinha Mandela preso desde 1962.



O ano de 1973 também registrou menos 2 cm na leitura da Régua Fluviométrica da Marinha do Brasil para a cidade de Ladário, no mês de outubro, onde indica ser essa a décima sétima seca ou estiagem mais severa registrada para a localidade em estudos. Nesse fatídico ano ocorre a Guerra do Yom Kippur entre Israel e Egito, a Ditadura de Pinochet é implantada no Chile com inúmeros mortos e desaparecidos, os Estados Unidos deixaram de fornecer ajuda militar às claras ao Vietnã do Sul, depois do acordo de Paris, o que ajudaria a encerrar a Guerra do Vietnã dois anos depois em 30/04/1975, com a tomada de Saigon pelas tropas norte-vietnamitas, teve início naquele ano a Ditadura Uruguaia, bem como a matança de estudantes pela Ditadura Grega.



O ano de 1941 registra a cota “zero” na Régua Fluviométrica de Ladário, no mês de outubro, ocupando a décima oitava posição do ranking da seca ou estiagem mais severa. Coincidência ou não, enquanto o rio Paraguai chorava, a Segunda Guerra Mundial corria às soltas com a Alemanha ocupando grande parte do solo europeu, afora seus satélites: Portugal, Espanha, Itália, para citar alguns, só que eles não esperavam que naquele final de ano teria início a terrível contra-ofensiva do Exército Vermelho da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) contra os exércitos do Eixo, em todas a frente russa, além da insensatez e estupidez de guerra nipônica de bombardear a Base Naval americana de Pearl Harbor no Havaí, dando início a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial contra o Eixo.



Coincidência ou não, no ano de 1974 assumiu a presidência do Brasil o General Ernesto Geisel e iniciou a abertura política. De fato amenizou a repressão escancarada à oposição, o que encontrou feroz resistência entre os militares chamados linha-dura.


Coincidência ou não, durante 47 anos o rio Paraguai não observou níveis tão baixos das suas águas entre os anos de 1973 e 2020. Porventura, nesse período tivemos as sete maiores enchentes ou cheias em 120 anos de levantamentos, contra apenas cinco nos restantes 73 anos de dados levantados pela Marinha do Brasil.



Coincidência ou não, o rio Paraguai nos momentos cruciais vivenciados pela história contada pela humanidade sempre chora copiosas lágrimas, demonstradas através das secas históricas registradas pela Régua Fluviométrica de Ladário, enquanto o povo sofre com a fome, miséria, mortes e desaparecimentos de entes queridos.



"Maiores enchentes registradas em Ladário/MS 


Coincidência ou não, como dito anteriormente, durante quase meio século o rio Paraguai não observou níveis tão baixos de suas águas (estiagens ou secas) entre os anos de 1973 e 2020. Ademais, nesse período tivemos as sete maiores enchentes ou cheias (níveis mais altos observados nas águas) em 120 anos de registros, contra apenas cinco nos restantes mais de 70 anos de dados levantados pela Marinha do Brasil para a Régua Fluviométrica da cidade de Ladário.



A maior de todas as enchentes ou cheias verificou no ano de 1988, no mês de abril, com o registro de 664 cm da mencionada Régua. Veio comemorar junto a população brasileira a promulgação da Constituição de 1988 enterrando o arcabouço ditatorial inaugurado em 1964. Deu início naquele ano a formação do bloco sul americano do Mercado Comum do Sul (Mercosul).


A segunda maior de todas as enchentes ou cheias registradas tinha sido verificada no ano de 1905, no mês de maio, com o registro de 662 cm da mencionada Régua. Naquela ocasião a Noruega tornava-se independente, ocorria o motim do couraçado Potemkin em julho, em face do massacre da população russa pelas tropas imperiais no evento conhecido como Domingo Sangrento em janeiro daquele ano em São Petersburgo desencadeando daí a Revolução Russa de 1905, um ensaio para a Revolução Russa de 1917, com Einstein anunciado a Teoria da Relatividade, bem como o fim da Guerra Russo Japonesa.



A terceira maior de todas as enchentes verificou-se no ano de 1995, no mês de abril, com a marca histórica de 656 cm da Régua Fluviométrica de Ladário. Naquela ocasião tomou posse na presidência do Brasil Fernando Henrique Cardoso, que fora eleito devido ao Plano Real implantado no governo que o antecedeu, como ministro da Fazenda de Itamar Franco.



A quarta maior enchente verificou-se em 1982, no mês de abril, com o registro de 652 cm da Régua fluviométrica de Ladário. Aquele ano foi marcado como o Ano Internacional de Mobilização pelas sanções à África do Sul, pela ONU, contra o regime do apartheid vigente na nação sul-africana. No Brasil foram efetuadas as primeiras eleições para governadores após o início da abertura política com a esmagadora vitória dos opositores da ditadura.



A quinta maior de todas as enchentes registradas ocorreu em 1913, no mês de abril, com a marca de 639 cm lidos na Régua Fluviométrica da Ladário. Naquele ano ocorre a prisão de Mohandas Karamchad Mahatama Ghandhi por liderar protestos de mineiros indianos que laboravam nas minas da África do Sul, sendo solto após pagar fiança, o que fez ganhar notoriedade por suas posições, como a política da desobediência civil sem o uso da violência e o jejum como forma de protesto.



A sexta maior das enchentes verificou-se em 1920, no mês de maio, com a marca de 637 cm, no ano que chegou ao fim a Revolução Mexicana, iniciada dez anos antes.



Decorreram mais de 47 anos para constatar outra grande enchente. A enchente seguinte, a sétima maior, ocorreu no ano de 1979, no mês de março, com o registro de 628 cm na Régua Fluviométrica de Ladário. Dois fatos de extrema importância aconteceram naquele ano, o restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos da América e a China Continental, e o início do processo de abertura política no Brasil, prenunciando o fim da Ditadura Militar, pelo General João Batista de Oliveira Figueiredo com a Lei da Anistia. Ademais, verificou o fim do regime de Pol Pot no Camboja, a fuga do Xã do Irã para o Egito,a Revolução Islâmica no Irã, o acordo de Paz entre Israel e o Egito, acordo do SALT II entre EUA e URSS, a deposição do ditador Anastasio Somoza Debayle da Nicáragua, encerrando um ciclo de ditadores de família que vinha desde 1936 e a morte de Josef Mengele, criminoso de guerra nazista alemão que a ditadura militar brasileira escondia em solo pátrio.



A oitava maior enchente foi registrada em 1980, no mês de abril, com a marca de 617 cm na Régua Fluviométrica de Ladário. Naquele ano houve a deposição do ditador ugandense Idi Amin, a morte da Besta de Sobebor (Gustav Franz Wagner), criminoso de guerra nazista, que a ditadura militar brasileira deu guarida, sendo encontrado morto em Atibaia/SP, a independência do Zimbabwe e a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil.



A nona maior enchente ocorreu em maio de 1989, sendo a marca histórica registrada de 612 cm. Naquele ano houve a Queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética.



No ano de 1921 temos a décima maior enchente, com o registro histórico de 607 cm, no mês de abril. Naquele ano é proclamada a República da Turquia, a Independência da Mongólia e a criação dos Partidos Comunistas Chinês e Português.



Também empatada no ranking das maiores enchentes com o ano de 1921 aparece a cheia do ano de 1985, verificada também no mesmo mês de abril. Naquela ocasião foi eleito Mikhail Gorbatchov como líder da URSS que promoveu a abertura conhecida como Glasnost, que anos depois viria a provocar o colapso da URSS e o desmembramento em vários estados independentes. Marca-se o fim da Ditadura Militar no Brasil com a eleição de Tancredo Neves para a presidência do Brasil. Também em solo pátrio aconteceram as primeiras eleições diretas para as capitais, após mais de 20 anos de regime ditatorial de exceção, com a aplicação do “voto vinculado”, onde o eleitor era obrigado a escolher candidatos de um mesmo partido, sob pena de anulação do voto.



Reserva-se para o ano de 1932 a décima segunda maior enchente, no mês de maio, com a marca de 598 cm. Naquele ano ocorre a eleição de Franklin Delano Roosevelt para a presidência dos EUA e no Brasil ocorre a Revolução Constitucionalista contra o governo central de Getúlio Vargas. O movimento conhecido como MMDC de um lado com os Estado de São Paulo, parte de Minas Gerais e Maracaju (atual Mato Grosso do Sul) e a Frente Única Gaúcha contra o governo central da República que obteve a vitória militar, mas o desfecho da Revolução Constitucionalista de 1932 foi a eleição da Assembleia Constituinte em 1933 e a promulgação da Constituição de 1934, como bem definiu o General Bertoldo Klinger, que pernoitará certa ocasião naquela época na fazenda Três Pontes do meu avô Joaquim Rezende de Menezes:



"Ao entrarmos no sólo paulista, para assumir o commando supremo, declarei que desembainhava a minha espada em continencia á Lei (...) Fomos obrigados a uma rendição incondicional, para poupar a S. Paulo, a todo o Brasil, dias mais amargos ainda. Mas fizemos triumphar a nossa idéa: a volta do paiz ao regimen constitucional. Obrigamos o governo a realiza-la. E, conseguido o nosso objectivo, podemos mais uma vez dizer que a santa guerra em que São Paulo e Matto Grosso se bateram pelo Brasil livre contra o Brasil escravisado, o vencido venceu o vencedor." (grifo e sublinhado nosso)



https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Constitucionalista_de_1932.

Drone militar estadunidense de R$ 1 bilhão desaparece após emitir alerta durante voo sobre o Estreito de Ormuz

Aeronave não tripulada mais cara da história, MQ-4C Triton havia realizado missão de vigilância de três horas e perdeu altitude rapidamente...