sexta-feira, 10 de abril de 2026

Drone militar estadunidense de R$ 1 bilhão desaparece após emitir alerta durante voo sobre o Estreito de Ormuz



Aeronave não tripulada mais cara da história, MQ-4C Triton havia realizado missão de vigilância de três horas e perdeu altitude rapidamente antes de sumir dos radares; causa ainda é desconhecida

10 de abril de 2026, 12:45 h

Drone militar americano de R$ 1 bilhão desaparece após emergência sobre Estreito de Ormuz; entenda — Foto: Reprodução: Northrop Grumman
O sistema de aeronave não tripulada MQ-4C Triton (Foto: Marinha dos Estados Unidos/Divulgação via REUTERS/Foto de arquivo)


Um drone de vigilância da Marinha dos Estados Unidos, que pode chegar a custar US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), desapareceu na quinta-feira (9) após emitir um alerta de emergência durante voo sobre o Estreito de Ormuz. A aeronave, modelo MQ-4C Triton, havia concluído uma missão de monitoramento antes de perder altitude rapidamente e desaparecer dos radares. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com os dados disponíveis, o equipamento havia realizado cerca de três horas de vigilância no Golfo Pérsico e na região do estreito. Em seguida, iniciou o retorno à base, localizada na Estação Aérea Naval de Sigonella, na Itália.

Registros do sistema de rastreamento aéreo Flightradar24 indicam que o drone alterou levemente sua rota em direção ao Irã no momento em que transmitiu o código 7700, utilizado para emergências gerais. Logo depois, iniciou uma descida abrupta até desaparecer.

Ainda não há confirmação sobre o destino da aeronave. Não se sabe se o drone caiu ou se foi abatido, hipótese que não possui precedentes registrados para esse modelo. O incidente ocorreu dois dias após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo de cessar-fogo, que incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo.

Ainda não está claro se o equipamento caiu ou foi abatido, algo nunca antes registrado com o modelo.

Capacidades do equipamento

Desenvolvido pela empresa Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é projetado para missões estratégicas de vigilância de longa duração, especialmente em áreas sensíveis, como rotas marítimas. O modelo pode operar por mais de 24 horas consecutivas a altitudes superiores a 15 mil metros, com alcance aproximado de 13,7 mil quilômetros.

Um modelo do MQ-4C da Força Aérea Australiana — Foto: Reprodução: Northrop Gumman

A aeronave também atua em conjunto com o modelo P-8A Poseidon, sendo utilizada como plataforma de observação em grande altitude. Até 2025, a Marinha dos Estados Unidos contava com cerca de 20 unidades do Triton, com previsão de ampliação da frota.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/drone-militar-estadunidense-de-r-1-bilhao-desaparece-apos-emitir-alerta-durante-voo-sobre-o-estreito-de-ormuz?utm_source=msn.com&utm_medium=referral&utm_campaign=msn-feed#google_vignette.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Uma vitória do Irã será um feito que vai mudar a história das guerras


Conflito expõe fragilidades dos EUA e reposiciona o Irã como força estratégica capaz de alterar o equilíbrio global de poder


José Álvaro de Lima Cardoso
Economista



Uma vitória do Irã será um feito que vai mudar a história das guerras



“Os EUA não são bons no que diz respeito a operações combinadas de armas. Não podem travar uma guerra real e séria em um teatro de operações vasto” - Andrei Martyanov, analista militar e autor russo-americano


Segundo os delírios diários de Donald Trump, os EUA destruíram a marinha, força aérea e líderes iranianos; mísseis e drones iranianos estão esgotados e o regime foi dizimado militar e economicamente. Trump prometeu recentemente ataques intensos nas próximas 2 ou 3 semanas para "levar o Irã à Idade da Pedra". Como não conseguem localizar o arsenal militar do Irã, EUA e Israel vêm, basicamente, despejando mísseis em escolas, hospitais, museus, locais históricos e residências, cometendo crimes de guerra em série, comportamento costumeiro dessa coligação abominável.


Como se sabe, o presidente dos EUA mente tanto que acaba acreditando nas próprias mentiras, o que não o impede de desdizer, à tarde, o que tinha afirmado pela manhã. Além disso, em uma guerra, a primeira vítima é a verdade. Por isso, os dados objetivos do conflito devem ser sempre a principal referência do observador comprometido com a verdade. Um dado inegável é que quem controla o estreito de Ormuz é o Irã. O local é uma pequena passagem marítima de cerca de 33 km de largura no ponto mais estreito, localizada entre o Golfo Pérsico (ao norte, controlado pelo Irã) e o Golfo de Omã (ao sul, perto de Omã). Ele conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, servindo como porta de saída para o oceano Índico.


Para MacCoy, assim como Egito em 1956, na crise contra os britânicos, “o Irã tem a mão do chicote” agora. “Eles estão no controle da situação, aparentemente impotentes, aparentemente vulneráveis aos nossos ataques na superfície, mas estrategicamente e geoestrategicamente, são eles que detêm as cartas vencedoras”, afirmou.


A importância do estreito para a economia mundial é enorme, pois é um dos principais "gargalos" do comércio global de energia. Por ali passa, em tempos normais, cerca de 20-30% do petróleo mundial (mais de 20 milhões de barris/dia), vindo de países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes, Kuwait e Irã. Também transporta 20% do gás natural liquefeito (GNL) global, especialmente do Catar. Qualquer interrupção causa picos nos preços do petróleo, afetando inflação, transporte e indústrias em todo o mundo.


O Irã está aproveitando a guerra para deixar bem claro quem controla o estreito de Ormuz. Já anunciou, inclusive, que, normalizada a situação, mudará o status do estreito, passando a cobrar um pedágio das embarcações que por ali passam, inclusive para reparações de guerra, já que o país está sendo destruído por ataques criminosos e totalmente ilegais. Aliás, esse pedágio já está sendo cobrado dos navios autorizados pelo Irã a cruzar Ormuz. O Irã criou uma capacidade integrada de interdição do estreito, que não pode ser derrotada sem o uso de tropas de infantaria (coisa que o imperialismo não consegue organizar).


Essa estratégia integrada, projetada para interditar o tráfego marítimo, é difícil de derrotar rapidamente devido à combinação de armas assimétricas, geografia favorável (costa extensa de 1.800 km e ilhas) e táticas de guerrilha naval. Vale lembrar que o Irã vem se preparando para essa guerra há cerca de 25 anos, e seus militares pensaram seus aspectos nos mínimos detalhes. O controle do tráfego no estreito de Ormuz pelo Irã é mais uma derrota para os EUA nessa guerra.


Os pretextos usados pelos EUA para a agressão ao Irã vieram mudando a cada semana desde o início da guerra, ao sabor das oscilações da demência de Trump. Primeiro foram as armas nucleares; não adiantou o Irã dizer que não iria fabricar. Em seguida, foram a existência de mísseis balísticos, que o Irã também não poderia possuir. Depois, a mudança de regime, porque o Irã iria dominar o Golfo Pérsico. Finalmente, Donald Trump está dizendo que o objetivo é abrir o estreito de Ormuz para o tráfego normal de embarcações. O que é muito curioso, porque o estreito estava funcionando normalmente antes do ataque traiçoeiro — feito em meio a negociações — dos EUA e Israel.


Os EUA não precisam diretamente do estreito de Ormuz para movimentar sua economia, mas a economia mundial precisa, porque o controle por parte do Irã, proibindo a passagem às embarcações dos países inimigos, está impactando fortemente os preços globais de energia, com risco, inclusive, de uma depressão econômica. O fato de que, quarenta dias após o início da guerra, o estreito continue fechado é uma prova definitiva da força dos iranianos. Enquanto o presidente dos EUA age como uma barata tonta, o Irã, até o momento, executa um plano de guerra minuciosamente elaborado.


A realidade política do Irã e de seus inimigos é muito diferente, o que é um fato crucial da guerra. Neste momento, em Israel, milhões de pessoas passam um tempo significativo em abrigos, com medo dos bombardeios, cada vez mais comuns, porque o sistema de defesa antiaéreo virou uma verdadeira “peneira”. Nos EUA, não mais do que 20% da população apoia a agressão contra o Irã, fato que pode significar uma derrota acachapante para Trump nas eleições parlamentares de novembro próximo. No Irã, apesar da população estar sendo bombardeada por caças, ninguém está se escondendo em bunkers (seguindo o exemplo, aliás, de seu líder máximo, Ali Khamenei, covardemente assassinado pelos sionistas). Isso mostra a realidade política muito diferente entre os dois países. Há um problema adicional para os agressores: os iranianos ainda não colocaram todas as suas cartas sobre a mesa no que se refere a recursos tecnológicos. O país dispõe ainda de capacidades bélicas e estratégicas que não foram reveladas.


Quanto mais essa guerra se prolongar, mais difícil será para os EUA e Israel sustentá-la. Há, primeiro, dificuldades de reposição de suprimentos de guerra, pois, apesar da fortuna investida em guerras, a indústria dos EUA tem baixa capacidade de produção. Além disso, é uma guerra muito assimétrica do ponto de vista financeiro. O drone iraniano Shahed-136 (o mais usado) tem custo de produção médio de US$ 35.000. Outros modelos custam, em média, US$ 40.000 a US$ 60.000. A comparação com as defesas do inimigo é impressionante. O míssil interceptador Patriot, fabricado pelos EUA, custa de US$ 3 a 4 milhões, ou seja, 1 drone custa de 0,5% a 1,5% de um míssil de defesa. É uma guerra muito difícil de sustentar, mesmo para o país mais rico do mundo, o que é agravado pela tendência crescente a uma derrota fragorosa.


A guerra, além de prejudicar muito a economia norte-americana, por meio do aumento de preços dos derivados do petróleo, está consumindo rapidamente o orçamento do Pentágono. Neste mês de abril, o governo norte-americano enviou ao Congresso uma proposta de orçamento militar recorde de US$ 1,5 trilhão para o ano fiscal de 2027 (que começa em outubro próximo). Este valor representa um aumento histórico de aproximadamente 42% (cerca de US$ 445 bilhões) em relação aos níveis aprovados para 2026.


O pedido de US$ 1,5 trilhão é justificado pela administração Trump como fundamental para manter a supremacia militar global. Para compensar o aumento nos gastos militares, o plano propõe cortes de cerca de 10% em gastos discricionários não relacionados à defesa, atingindo agências civis, programas sociais e educação. O orçamento inclui recursos para o projeto "Golden Dome" (um sistema de defesa antimísseis), expansão da frota naval e um aumento significativo para a Força Espacial, que teria seu orçamento mais que dobrado para US$ 71 bilhões.


A indústria de defesa dos Estados Unidos é composta por gigantes do setor privado que formam a espinha dorsal do que é conhecido como o Complexo Industrial-Militar. Essas empresas não apenas fabricam o armamento, mas também exercem uma influência profunda sobre o Congresso e o governo norte-americano. As cinco maiores empresas, frequentemente chamadas de "The Big Five", dominam a maior parte dos contratos do Pentágono. Essas empresas são diretamente beneficiadas pelas guerras eternas provocadas pelos EUA e certamente têm influência decisiva na expansão do orçamento militar do país. Apesar do orçamento trilionário dos EUA, a guerra contra o Irã levantou sérias dúvidas entre os especialistas sobre a eficiência do equipamento fornecido pelo Complexo Industrial-Militar.


À medida que o conflito se desenvolve, são cada vez mais fortes os sinais de que o Irã vai impingir uma derrota estratégica aos EUA. Um país atrasado, uma potência média, que sofre todo tipo de boicote há 47 anos, se manter firme e enfrentar o império mais poderoso da Terra é um feito que vai impactar a história das guerras. Em caso de vitória do Irã, os EUA vão se enfraquecer em outras frentes. Por exemplo, a permanência dos EUA no Oriente Médio vai ficar cada vez mais difícil. As ditaduras árabes no Golfo Pérsico, países artificiais que são braços e pernas do imperialismo norte-americano, estão ficando em uma situação insustentável. Esses governos, dominados por emirados extremamente corruptos, que colocaram as riquezas dos países a serviço de algumas famílias, vão ter dificuldades para se manter.


Um outro efeito impagável de uma possível vitória do Irã nesta guerra é o enfraquecimento de Israel. Este possivelmente é o melhor resultado de todos. Uma vitória do Irã em um conflito direto e total contra os Estados Unidos representaria uma mudança sem precedentes na história moderna. As consequências para os EUA e, principalmente, para Israel seriam estruturais.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/uma-vitoria-do-ira-sera-um-feito-que-vai-mudar-a-historia-das-guerras?utm_source=msn.com&utm_medium=referral&utm_campaign=msn-feed#google_vignette.

terça-feira, 24 de março de 2026

Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer, afirma historiador




História de Tatiana Carlotti



O chicote está nas mãos do Irã e eles vão vencer, é o que afirma o historiador Alfred MacCoy, da Universidade de Wisconsin-Madison, em entrevista concedida ao Democracy Now, nesta segunda-feira (23/03). Ao avaliar os impactos globais da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, ele afirma que o país persa está em “posição dominante” e fazendo Washington “refém”.


Segundo o historiador, se o Irã conseguir manter o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, ele “poderá manter Washington refém”. MacCoy compara a guerra atual com a crise do Canal de Suez, em 1956, quando o Egito conseguiu reverter uma derrota militar ao bloquear uma rota marítima vital, precipitando o declínio do poder imperial britânico.


“Não há outro lugar no planeta tão absolutamente central e crítico para o funcionamento de toda a economia global”, explicou o historiador, ao salientar além do petróleo e gás, cerca de metade dos ingredientes para fertilizante transitam pelo Estreito de Ormuz, agora fechado.


Isso ocorre, lembra o historiador, quando todo o hemisfério Norte está plantando suas culturas e precisando de fertilizantes, cujos preços quase dobraram nos Estados Unidos. “O governo Trump, em sua genialidade, encontrou exatamente o mês certo para atacar o Irã e efetivamente fechar o Estreito de Ormuz, desestabilizando a agricultura global. É inacreditável”, ironizou.


Para MacCoy, assim como Egito em 1956, na crise contra os britânicos, “o Irã tem a mão do chicote” agora. “Eles estão no controle da situação, aparentemente impotentes, aparentemente vulneráveis aos nossos ataques na superfície, mas estrategicamente e geoestrategicamente, são eles que detêm as cartas vencedoras”, afirmou.

‘Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer’, afirma historiador Agência Tasnim


Deficiências norte-americanas


Segundo o historiador a guerra vem demonstrando a fragilidade e o declínio do império estadunidenses. Ele mencionou a questão dos estoques limitados dos mísseis interceptadores. “Tínhamos algo como 4.000 mísseis interceptadores. O Irã tinha algo como 80.000 drones Shahed. É preciso um míssil interceptador para derrubar um drone. Então, se a guerra se arrastar, vamos esgotar nossas reservas”, afirmou.


MacCoy também mencionou o impacto moral do conflito. “Nossa aura de poder foi diminuída. Evaporou. Mostramos nossos limites e que os Estados Unidos, a maior potência mundial, enfrentando um país enfraquecido e de porte médio como o Irã, não podem prevalecer”, acrescentou.


Ele lembrou que o Irã estava aberto às negociações antes dos ataques mas, agora, os “Estados Unidos é que estão negociando, basicamente nos termos do Irã“. Em sua avaliação, “isso é um sinal para o mundo de que a era da hegemonia dos EUA está se esvaindo”.


Segundo MacCoy, o Irã está, neste momento, “em uma posição melhor”. Prova disso é que embora a maioria das instalações acessíveis no país tenham sido atacadas, do lado sul do Golfo Pérsico, “há enormes usinas de dessalinização, usinas gigantes de gás natural liquefeito e campos de petróleo”.


O historiador afirma que toda essa infraestrutura está “sem reforço e completamente exposta a ataques de drones de 20 mil dólares, que resultam em erupções de fogo e chamas e causam danos a longo prazo à infraestrutura”. Enquanto os Estados Unidos esgotam suas ameaças, o Irã tem ameaças ilimitadas disponíveis.


“Em uma análise estratégica, o Irã está atualmente na posição dominante”, acrescentou. Em sua avaliação, o que Teerã precisa fazer neste momento “é absorver a surra e esperar que desapareçamos”. E “eles vão vencer”, acrescentou o historiador, em entrevista ao Democracy Now.


O post ‘Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer’, afirma historiador apareceu primeiro em Opera Mundi.


FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/ir%C3%A3-est%C3%A1-em-posi%C3%A7%C3%A3o-dominante-na-guerra-e-vai-vencer-afirma-historiador/ar-AA1ZjxxY?ocid=msedgntp&pc=HCTS&cvid=69c2cad72388484ab432c7b1c44f0e33&ei=10.

Drone militar estadunidense de R$ 1 bilhão desaparece após emitir alerta durante voo sobre o Estreito de Ormuz

Aeronave não tripulada mais cara da história, MQ-4C Triton havia realizado missão de vigilância de três horas e perdeu altitude rapidamente...